Mais Congestionamento, menos saúde.
04/11/2011
O tempo perdido todos os dias no trânsito reflete no corpo. Dores na coluna, pescoço e ombros são queixas comuns e, a longo prazo, podem se transformar em algo mais sério.
O médico Dr. Dirceu Rodrigues Alves Junior, diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), diz que o congestionamento é um momento de sufoco para o motorista.
O representante da Abramet explica que o estresse a que o condutor está sujeito é classificado em três tipos: o físico, pelo trabalhão repetitivo de andar e parar; o psicológico, que é o medo de ser assaltado ou seqüestrado; e o social, pelo fato de estar distante de casa, do trabalho e demorar para chegar. "A pessoa fica nervosa, tem compromissos para resolver. Isso torna-se um desgaste muito grande".
Além disso, existem os fatores de risco produzidos pelos veículos. "O carro joga calor e o ambiente do motorista é extremamente quente. Somado com o estresse, fica muito nocivo ao organismo. A pessoa perde líquidos, pode até desidratar".
O médico também ressalta que a qualidade do ar traz conseqüências ao organismo. "A pessoa inala vapores e gases que são tóxicos. Tem a poeira, a fuligem, capazes de produzir doenças respiratórias e, a longo prazo, causarem queda na imunidade e doenças neoplásicas"
Quanto mais tempo no trânsito, piores são os resultados para o corpo.
Outro problema provocado pelos engarrafamentos é a exposição a um nível elevado de ruído. Segundo a Organização Mundial da saúde (OMS), decibéis muito acima do tolerável ocupam o terceiro lugar no ranking de problemas ambientais que mais afetam populações do mundo inteiro. Não se trata de simples incômodo.
Qualquer som acima dos 55 decibéis ( o equivalente à voz humana em conversa baixa) é interpretado pelo organismo como uma agressão. Para preparar sua defesa, o cérebro ordena que as suprarrenais, glândulas localizadas acima dos rins, liberem doses de cortisol e adrenalina, os hormônios do estresse. Além dos distúrbios auditivos, esse processo traz uma série de reações ruins à saúde.
Solução:
Para Dirceu Júnior, a educação é o único modo de diminuir o problema. "O indivíduo, tendo consciência do que o alto número de veículos causa para ele e para o planeta, vai optar por outro transporte". O diretor da Abramet ressalta que "isso deve ser ensinado desde a infância, para a pessoa chegar aos 18 anos com mais responsabilidade e cidadania".
O médico observa que no documento do veículo está escrito: "automóvel de passeio",. Então,, ele teria que ser usado só aos finais de semana, para passear. "Nos outros dias, temos que ter na porta da casa da gente o transporte público. É a maneira lógica de se reduzir o número de veículos nas ruas, o número de acidentes, a poluição ambiental, melhorar as condições da sociedade como um todo".
Pesquisa:
Em 2007, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) avaliaram 500 motoristas profissionais. Todos apresentaram substancias tóxicas no organismo e chance dobrada de desenvolver câncer de pulmão. Também tiveram uma predisposição a bronquite, asma e até infarto.
O estresse no trânsito propicia o aparecimento de outras doenças, como hipertensão e lesões por esforço repetitivo.
As horas nos congestionamentos diminuem ou impossibilitam a participação em atividades físicas, de lazer e de descanso.
O repouso também é prejudicado: a pessoa dorme menos porque ficou mais tempo presa no trânsito ou tem insônia pelo alto nível de tensão a que está sujeita.
Fonte: A TRIBUNA
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